Natura Musical: Dicas dos especialistas da comissão de seleção

Chegou um email lindo aqui na nossa caixa de entrada: o edital Natura Musical termina sexta-feira agora, 24, e eles perguntaram a cinco especialistas em música brasileira que já selecionaram projetos contemplados o que chama a atenção deles.

Primeiro, quem são:

  • Dj Zé Pedro, pesquisador de música brasileira e fundador do selo Joia Moderna
  • Alexandre Matias, jornalista e criador do Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br)
  • Rafael Rocha, editor da Noize (www.noize.com.br)
  • Titane, cantora mineira
  • Edvaldo Rocha, pesquisador paraense
Tulipa Ruiz e Felipe Cordeiro

Os especialistas fizeram parte das comissões de 2015 e 2014, que contemplaram artistas maravilhosos como Tulipa Ruiz e O Terno. Segue a entrevista, cheia de dicas de ouro pra melhorar seu projeto:

O que procurava nos projetos?
DJ Zé Pedro: “Diferença. Projetos ou artistas que se parecessem (muito)com outros eu não considerava.”
Alexandre Matias: “Originalidade e referências próximas aos projetos que pudesse conhecer ou reconhecer. Nesse sentido, uma comissão plural é crucial para esse projeto, pois os julgadores comentam os trabalhos que os outros não conhecem.”
Rafael Rocha: “Procurava originalidade, representatividade com o cenário e cultura brasileira. Sempre busquei projetos que acrescentassem artisticamente, e que de fato necessitavam do apoio proposto pela Natura.”
Titane: “Consistência musical e personalidade artística, em primeiro lugar. Uma certa “independência criativa” do “músico/cantor/compositor, mesmo que sua produção esteja/estivesse inserida no contexto de sua geração.Uma excelência artística individual, no caso de intérpretes/autores que integram comunidades onde culturas tradicionais ainda apresentam grande vitalidade.”
Edvaldo Souza: “Projetos que tenham boa circulação, legitimidades, resgates de obras e interações.”

Que detalhes dos projetos chamam mais sua atenção?
DJ Zé Pedro: “Acima de tudo personalidade, algo que me atraísse como único.”
Alexandre Matias: “Muita gente dá atenção à forma de apresentação do projeto e acaba inscrevendo projetos como “turnê” ou “disco de carreira”. Vejo a possibilidade de um edital desses como uma forma de bancar um projeto de coração, que possa fugir da carreira tradicional do artista.”
Rafael Rocha: “Quando uma história era bem contada, os argumentos válidos (principalmente para legado), todos nós (especialistas) concordávamos. O áudio que vinha junto e o material em anexo, assim como o que há do artista e projeto na web, sempre foram muito fundamentais.
Titane: “Além da consistência, personalidade e independência criativa, a eficiência cênica dos artistas ao se apresentarem em público.”
Edvaldo Souza: “A continuidade e compromisso com a sua obra, interação entre artistas das diversas regiões do país.”

O que pesava mais nas suas indicações?
DJ Zé Pedro: “Principalmente se era a primeira vez que pedia o patrocínio da Natura e se o valor estava dentro da realidade do mercado.”
Alexandre Matias: “Um trabalho consistente que tivesse a ver com uma proposta própria. Muita gente inscreve trabalhos pensando só na viabilidade comercial ou em alguma forma de agradar à comissão julgadora – e isso torna-se muito claro na hora em que você está avaliando os projetos. O edital é uma oportunidade para o artista se expressar plenamente, não apenas de conseguir dinheiro.”
Rafael Rocha: “A relevância artística para a cultura e o valor dele na soma das categorias”
Titane: “Capacidade de projeção corporal, preenchimento de cena, desenvoltura no palco.Atenção: não me refiro aqui a timidez ou extroversão, mas a expressividade, domínio de sua própria linguagem e controle do discurso estético, musical, que pretende realizar.”
Edvaldo Souza: “A circulação e formação de parcerias entre os projetos analisados.”

O regulamento e todas as informações para inscrição estão disponíveis no portal www.naturamusical.com.br

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